Jota Soares

Retratar o histórico de Jota Soares é trazer de volta as raízes culturais da época do cinema mudo. As dificuldades e o amor pela sétima arte encantaram vários jovens que produziam e contracenavam.

Jota Soares, um dos precursores do cinema pernambucano, fez parte do cenário de luta e entusiasmo da dramaturgia, que esteve presente no Ciclo do Recife, primeira fase do cinema pernambucano. Nascido em 1906, na cidade de Propiá, Sergipe, o cineasta desde criança teve influência e vivência do cinema a partir do pioneirismo do seu pai – José da Silva Soares -, que foi obrigado a fechar sua sala de reprodução devido às perseguições dos filmes proibidos. Mesmo assim, a presença assídua de Jota nas salas de reprodução foi essencial para aprimorar e abrilhantar seus conhecimentos.

Sua vinda para a capital pernambucana foi ocasional; entretanto, Jota Soares logo se deparou com o entusiasmo dos cineastas da primeira produtora local, a Aurora Filme. Aos 18 anos, o futuro cineasta já traçava seu perfil de interesse e paixão pela dramaturgia. Seu ingresso ao cinema se deu a partir da produção cinematográfica do filme “Retribuição”, quando Gentil Roiz e Édson Chagas gravavam as cenas no bairro do Pina e Jota se ofereceu para ajudar na produção. Desde então, ele começou a construir seu nome na história cinematográfica da década de 20. A partir daí, sucessivas produções foram feitas, no entanto, uma com destaque especial: “A Filha do Advogado”, que contou com a dramatização e direção de Jota Soares aos 20 anos de idade.

Paralelamente às produções, o cineasta trabalhava como vendedor e como músico, tocava cavaquinho nos blocos carnavalescos e piano nos cabarés da cidade. Entre os anos de 1925 e 1931, Jota respirou o cinema no Recife, alimentando uma paixão infantil de fazer a mesma coisa que seus ídolos faziam.

A partir da década de 30, com a produção sonora norte-americana, os filmes locais perderam espaço. Mesmo com o advento do filme falado, Jota Soares lutou para vencer o desafio das produtoras americanas. Ele chegou a sonorizar ao vivo seus filmes, levando para a cabine vitrola e discos, fazendo de tudo para que os espectadores considerassem que o que era produzido no Recife, de alguma forma, também podia falar. Mas, não foi o suficiente para manter a produção local.

Com a derrocada cinematográfica local, Jota Soares foi para a Bahia trabalhar com seu pai, retornando apenas em 1950, sendo contratado como chefe do departamento comercial do Jornal Pequeno. Ele foi comentarista da Rádio Clube Capibaribe e escreveu durante 59 semanas artigos para o Diario de Pernambuco sobre o Ciclo do Recife. A repercussão da série de artigos foi pequena, mas o suficiente para fazer com que ele imaginasse a possibilidade de publicar um livro sobre o Ciclo do Recife, projeto que jamais se concretizou.

Em 1988, o cineasta sofreu um derrame cerebral, vindo a falecer após 15 dias de internação, deixando um legado indiscutivelmente incalculável. É notória a contribuição que Jota Soares deixou para a cultura pernambucana, no rádio, no cinema e no jornal impresso. Sua luta e paixão pelo esporte e pela dramaturgia.

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